Fibra Óptica: ACIST reúne entidade reguladora, operadores e técnicos

Fibra Óptica: ACIST reúne entidade reguladora, operadores e técnicos

No âmbito das suas acções de esclarecimento para associados, a ACIST realizou, no dia 14 de Julho, em Lisboa, o Workshop “Redes FO II– Implementação, Negócios e Oportunidades –O Estado da Arte”.
Conhecer a perspectiva do regulador do sector, a ANACOM, e dos vários operadores no mercado, foi um dos principais objectivos, numa sessão onde também se pretendeu esclarecer e formar os técnicos e instaladores.

O evento arrancou com a intervenção do presidente da Autoridade Nacional das Comunicações (ANACOM), José Amado da Silva, que salientou o empenho da ANACOM em que tudo corra bem no processo de instalação da fibra visto o mais importante ser que “nada falhe, para que os consumidores não tenham queixas do serviço por questões relacionadas com cabos”. Embora seja necessário provar que a fibra é melhor que o sistema anterior, José Amado da Silva acautelou que, “o diabo está nos pormenores” e há que ter cuidado para que não seja por deficiência e erros de instalação que o consumidor não tenha acesso à fibra.

Por seu turno, Jorge Manuel Bonifácio, do departamento de Estratégia e Arquitectura de Rede da Portugal Telecom, considerou que existe uma constante interligação entre as necessidades de novos serviços e as capacidades e funcionalidades permitidas pela inovação tecnológica. Para este responsável, a fibra óptica “é a única tecnologia que nos vai permitir competir no futuro”.

Os desafios da fibra óptica

Segundo referiu o representante da PT, os edifícios sem qualquer infra-estrutura previamente preparada continuam a representar o maior problema na instalação da fibra óptica, sendo que, actualmente, cerca de 40 por cento do parque de casas se encontra nessa situação. Nos restantes casos, o maior desafio para os instaladores continua a ser o processo de instalação em casa do cliente, por requerer intervenção na rede doméstica.

Esclarecer e formar os técnicos e instaladores

Dedicado ao ITED (Infra-Estruturas de Telecomunicações em Edifícios) e ITUR (Infra-estruturas de Telecomunicações em Loteamentos, Urbanizações e Condomínios) aplicados à Fibra, o segundo painel de debate focou-se, essencialmente, no esclarecimento dos técnicos e instaladores, sem esquecer o enquadramento legal do sector.

Paulo Mendes, representante do departamento de Direcção e Fiscalização da ANACOM, reforçou uma ideia que já tinha sido transmitida pelo presidente da entidade reguladora do sector, ao reafirmar que “a cooperação é muito importante, mais importante do que saber quem fez primeiro ou quem se encontra em primeiro lugar”.

Depois de apresentar as especificações técnicas e obrigatoriedades de materiais e procedimentos, em vigor na instalação de cablagens para a aplicação da fibra óptica, o responsável destacou ainda que “o Manual ITED disponível é uma regulamentação mínima sob a qual se pode sempre fazer melhor”.

O Grupo Cabelte, a Visabeira e a Televes, fizeram-se representar por técnicos especializados, que deram a conhecer aos associados presentes as várias soluções disponibilizadas por cada uma das empresas.



O papel da ACIST

Paulo Moniz, presidente da ACIST, destacou o papel da associação no apoio ao nível da formação técnica e informação dos seus associados. “Somos promotores destas sessões de esclarecimento técnico e procuramos sempre trazer um conjunto de parceiros que interagem”, afirmou, justificando que o regulador é quem define o quadro normativo, e, portanto, traz sempre uma visão de enquadramento ao tema que se vai abordar.

Por outro lado, Paulo Moniz defende que a presença dos operadores faz todo o sentido, visto “serem eles o motor de investimento da actividade dos associados”. Por sua vez, o painel de fabricantes e especialistas técnicos confere ao evento um nível de detalhe muito grande, do ponto de vista técnico, para que possam discutir-se questões que não são consensuais, e constituem dúvidas para quem instala. “O nosso objectivo é a uniformização de boas práticas, que é o que se pretende ao nível de todo o país”, asseverou.

Ter padrões de qualidade cada vez mais elevados é essencial, “porque a fibra óptica, para além de ser uma novidade tecnológica, é um domínio tecnológico diferente. Obriga a equipamentos de teste, de ensaio, de fusão, obriga ao domínio de conceitos que são muitíssimo mais exigentes do que eram, por exemplo, os cabos de cobre ou mesmo os coaxiais”, esclareceu o responsável máximo da ACIST.

Segundo Paulo Moniz, o aumento das exigências a nível tecnológico, faz com que a ACIST tenha que ter “um papel charneira de requalificar pessoas que passaram 20 ou 30 anos a trabalhar numa tecnologia e que, quase instantaneamente, são obrigadas a mudar de paradigma”.

Publicado:Segunda, 19 Julho, 2010

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