ENTREVISTA PAULO MONIZ - PRESIDENTE ACIST

ENTREVISTA PAULO MONIZ - PRESIDENTE ACIST

“Assistimos à consolidação da retoma económica com inegável reflexo positivo também no volume de negócios do sector das telecomunicações”

O ano de 2017 trouxe uma melhoria da conjuntura económica que foi sentida no sector das comunicações e que beneficiou também a atividade dos operadores e das pequenas e médias empresas. A atividade da ACIST ao longo do ano foi intensa e Paulo Moniz, presidente da associação, destaca as diversas iniciativas, muito participadas, que foram desenvolvidas em Portugal e em Cabo Verde, Moçambique e Angola.

Para 2018 as expectativas positivas e o plano da ACIST prevê já uma série de iniciativas inovadoras.

- Este foi um ano de crescimento para o sector das comunicações em Portugal, com o reforço de investimentos em infraestrutura e crescimento dos serviços. Qual é o balanço que faz do sector este ano?

Ao longo de 2017 assistimos à consolidação da retoma económica com inegável reflexo positivo também no volume de negócios do sector das telecomunicações e nas áreas de laboração das empresas e técnicos associados da ACIST.

Todavia, esta melhoria generalizada do ambiente e clima económico, também foi acompanhada por um conjunto de medidas mais apertadas e restritivas, com particular incidência nas margens libertas para os parceiros PME`s, por parte da matriz de operadores que temos e que é fruto das recentes fusões e consolidações do sector.

- A ACIST desenvolveu uma serie de atividades, com workshops técnicos e publicação de livros e manuais. Quais são os principais destaques deste ano?

Ao longo do ano de 2017 a ACIST continuou a apostar nas suas linhas gerais de atuação, que compõem a estratégia da atual Direção e que derivam da própria evolução e orientação do mercado.

A formação foi um dos setores chave desta aposta, em Portugal e além-fronteiras, nomeadamente em Moçambique, onde a ACIST tem mantido ativa a sua Academia de Formação fundada em 2010.

Para complementar este importante eixo da sua atividade, a ACIST especializou-se e alargou o seu leque de publicações técnicas, específicas e muito focadas nas temáticas como as infraestruturas de telecomunicações, em edifícios e urbanizações, Reabilitação Urbana e Internet das Coisas, algumas delas ainda pouco exploradas, pelo menos sob o ponto de vista abordado nas mesmas.

Na elaboração destas edições técnicas, optámos por uma abordagem inovadora que se traduziu na participação de especialistas em algumas destas áreas e de empresas fabricantes, que consistentemente têm vindo a criar e encontrar soluções para satisfazer os players do mercado.

Para divulgar estas obras, já usadas noutras escolas de formação e até universidades, a ACIST realizou Seminários e Sessões Técnicas descentralizadas que, ao mesmo tempo que serviam para esclarecer as dúvidas ainda existentes, também permitiam o contacto com muitas das soluções técnicas apresentadas e expostas paralelamente aos eventos pelas empresas parceiras.

Na sequência da evidente proximidade que a ACIST mantém com as empresas do sector que dela fazem parte, torna-se intuitivo escolher os temas a debater nos vários seminários realizados ao longo do ano. Em 2017 destaco o evento sobre Televisão Digital Terrestre: um evento muito participado, há muito desejado pelos associados da ACIST e em que foi possível concluir que os próximos passos da TDT terão de ser bem equacionados, tendo em conta a experiência retirada na primeira fase.

O habitual Encontro de PME’s, este ano realizado em Novembro e dedicado ao tema da Transformação Digital e a Era 4.0, foi outro dos eventos de maior sucesso. Destaco a forte participação dos associados, a inegável qualidade dos oradores e o espaço dedicado à exposição, que contou com uma oferta diversificada.

Paralelamente a estas iniciativas, a ACIST continuou a trabalhar no Projeto ACIST EMPREENDE e no Fórum que criou para incentivar a criação de empresas que coloquem a tecnologia ao serviço da sociedade e dos cidadãos, particularmente os portadores de necessidades especiais.

A este propósito publicou no último trimestre do ano, mais uma obra técnica que traduz o resultado das pesquisas que realizou sobre as oportunidades de mercado associadas à IoT, no segmento de cidadãos com necessidades especiais

- Neste contexto económico como vê o papel da ACIST e que vantagens a associação traz para os associados?

A ACIST pretende ser um apoio para as suas PME’s associadas, bem como para todos os membros das suas Secções especializadas. O objetivo é dotá-las de ferramentas que as possam tornar mais competitivas, por via de uma formação e atualização contínua e pelo facto de por via da ACIST, serem detentoras de um conhecimento privilegiado do mercado. Neste sentido, a ACIST tem vindo a apostar em instrumentos de trabalho como o e-marketplace, plataforma privilegiada de B2B concebida para os associados da ACIST e o Observatório das Telecomunicações que contém informação atualizada e regular sobre o mercado, nomeadamente estatísticas e estudos de mercado que podem ajudar a melhor definir o caminho a seguir.

Para além destas plataformas, a ACIST comunica ainda com os players do mercado através do site (www.acist.pt), do canal no Youtube (www.yyoutube.com/ACISTPTG), do Facebook (www.facebook/acist) e da edição de uma Newsletter mensal que divulga informação selecionada e exclusivamente direcionada para o setor.

O Gabinete de Apoio ao Associado, Gabinete Técnico e Gabinete Jurídico são também outra grande mais-valia da associação, pois permite auxiliar as empresas ou os técnicos em determinadas situações, obviando gastos excessivos com a contratação de serviços externos.

O acesso, a preços especiais e muito vantajosos, às Formações Técnicas das ACIST nas suas diversas Academias de Formação, desde Coimbra, Silves, Açores, Moçambique ou Cabo Verde, julgo ser também um fator de interesse, ainda mais porque todos os formandos recebem gratuitamente as nossas publicações.

Para além de tudo isto a ACIST promove ainda um conjunto de atividades gratuitas para os seus associados e permite o acesso a um vasto conjunto de regalias e condições especiais num universo de Educação, Saúde, Banca, Segurança, Negócio, Turismo, Entretenimento, lazer e Seguros. Neste âmbito posso destacar o Protocolo com a Médis que desenhou à medida um Plano de Saúde Médis, com opções exclusivas e um prémio reduzido e independente da idade para salvaguardar a saúde dos seus associados aderentes.

No contexto particularmente difícil que se viveu nos últimos anos a ACIST não deixou de apoiar a internacionalização das suas PME’s, facilitando a aproximação com outros mercados, nomeadamente os PALOP e potenciando oportunidades de negócio e de exportação. A realização de Encontros empresariais nesses países, a criação de Academias de Formação com mostra de produtos portugueses e a divulgação de informação regular através dos seus Micro Sites ACIST / PALOP, são exemplos claros de apoio à internacionalização, desde 2008. Este movimento teve resultados concretos de incremento da participação das PME’s Portuguesas nesses países e também do aumento das exportações para esses mercados.

- Tem vindo a ser desenvolvido o trabalho de relação com  outras entidades nacionais e internacionais?

A ACIST desde sempre  tem consciência que as parcerias com entidades nacionais e internacionais são muito importantes e contribuem decisivamente para o aumento da visibilidade e prestígio da instituição, o que se traduz também num fator positivo para as empresas que representa.

Motivo de orgulho e sinal de reconhecimento do trabalho que a associação tem vindo a desenvolver é a participação, ao longo dos anos, nos diversos Grupos Técnicos e de Regulamentação, nomeadamente da ANACOM, dos quais destacamos aqueles em que participamos atualmente como a Comissão Técnica Nacional de Aspetos Electrotécnicos do Equipamento de Telecomunicações e Redes de Cabo para Sinais de Televisão, Sinais de Som e Serviços Interativos, o Subgrupo de Comunicações do GT Trans e o Grupo de Trabalho criado a propósito dos Incêndios Florestais sobre as Medidas de Proteção e Resiliência das Infraestruturas de Comunicações Eletrónicas.

Em 2016 e por um período de 3 anos, a ACIST foi eleita Presidente das Comissões Técnicas CTE 209 e CTE 215, sucedendo à ANACOM, o que naturalmente acresce a nossa responsabilidade.

A nível internacional destaco a nossa participação na WITSA – World Information Technology and Services Alliance, no FTTH Europe Council e na ITU – Internacional Telecommunication Union, sendo a única associação a representar Portugal.

- E a ligação com os PALOP?

Desde 2008 que a ACIST encetou um projeto de internacionalização, dirigido aos PALOP, que passou pela realização dos seus habituais Encontros Anuais nesses países e pela implementação de Academias Tecnológicas. Os países eleitos foram Cabo Verde, Moçambique e Angola. Com a realização destes eventos procurou incentivar a exportação de produtos, serviços e know how.

Essa ligação mantém-se em Cabo Verde e especialmente em Moçambique e a ACIST tem procurado estreitar esses laços aprofundando as boas relações que tem com as Entidades Reguladoras de cada um desses países.

Não está colocada de parte a hipótese de estreitar o relacionamento institucional com outros países de língua oficial Portuguesa.

- Quais são os principais desafios para a associação no próximo ano e também para o mercado das comunicações ?

O Plano de Ação da ACIST para 2018 está já traçado e assenta numa linha de continuidade com o trabalho realizado no ano anterior, com destaque, no entanto, para algumas novidades que iremos lançar no mercado. Estas novidades são muito inovadoras e interessantes, mas entendo não ser este ainda o momento certo para as revelar. No primeiro trimestre do próximo revelarei, com muito orgulho, os instrumentos que temos preparados para auxiliar e facilitar o trabalho dos profissionais do sector.

Continuaremos, como sempre, a apostar na formação, nas diversas salas que dispomos, com destaque para os Açores, que voltará a acolher em 2018 formação ministrada pela ACIST, fruto da renovada parceria com o Governo Regional dos Açores. É nossa intenção também reativar a Academia de Cabo Verde, um tema que esta Direção está empenhada em resolver favoravelmente.

Podem também contar com a realização de um conjunto de eventos que iremos realizar faseadamente ao longo do ano.

 

Publicado:Sexta, 22 Dezembro, 2017

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