ACIST debate a Transformação Digital e a industrialização 4.0

ACIST debate a Transformação Digital e a industrialização 4.0

No rescaldo do Web Summit, o XXI Encontro Anual de PME`s do Sector das Telecomunicações colocou em cima da mesa temas como qual será o desafio e o futuro do 5G e as mudanças do paradigma de negócios originados pela inovação e transformação digital.

O encontro, organizado pela ACIST, Associação Empresarial de Comunicações de Portugal teve lugar esta terça-feira, dia 14 de novembro, e, nas palavras de Paulo Moniz, presidente da associação, tinha como um dos objectivos principais que se olhasse “para o futuro para perspectivar o que aí vem”.

Paulo Moniz discorreu sobre alguns dos temas que passaram pela grande conferência tecnológica que aconteceu na capital entre 6 e 9 de novembro, como o tema “incontornável” da Inteligência Artificial, visto que “algumas das tarefas que as PME’s fazem neste momento, vão deixar de ser por elas feitas, uma vez que será mais barato ser feito por uma IA”, ou dos Robots, sobre os quais a espécie humana está em vantagem porque “vamos continuar a ser muito competentes a nível social”.

Apesar de, neste momento, beneficiarmos de uma situação económica mais estável e propícia a uma melhoria nos negócios, o presidente da ACIST realçou que o mercado dos dias de hoje é muito diferente do de “há 10 anos” e que “estão a surgir novas empresas com uma capacidade de inovação muito interessante”. Nesse sentido, é necessário perceber “o que é o 5G e o que vai acontecer para que sejam encontradas novas oportunidades”.

José Perdigoto, vice-presidente da ANACOM, concordou que é “necessário fazer uma reflexão e balanço do passado, mas também olhar para as oportunidades que o futuro pode trazer” ao universo das telecomunicações, dada a importância do mesmo para a economia, uma vez que representa entre “3 a 4% do PIB e entre 3,5 a 4,5% do investimento do país”.

O representante do regulador referiu ainda que, apesar do facto de Portugal ser um dos países com melhores infra-estruturas a nível das telecomunicações ser um bom ponto de partida, isso não é suficiente.

“É preciso mais. A nível do capital humano é necessário haver mais requalificação profissional e um maior desenvolvimento das soft skills, é preciso haver uma maior adoção do comércio electrónico e uma maior incorporação do digital nos modelos de negócio na chamada indústria 4.0”, defendeu José Perdigoto.

Para Gabriel Coimbra, general manager da IDC Portugal, os “aceleradores de inovação estão hoje massificados”, pelo que a previsão é de que “em 2021, mais de 50% da economia estará digitalizada”.

Contudo, para chegar a 2027 com uma “full digital transformation”, é necessário que as empresas adoptem algumas estratégias.

“É preciso que as organizações criem uma estrutura digital, uma vez que, por exemplo, por volta de 2020, 60% dos departamento de IT vão estar focados, não em questões de IT, mas sim na criação de novos produtos e serviços. As empresas também têm que pensar numa forma mais estruturada de fazer essa transformação digital, a qual deve passar pelo fomento das capacidades digitais dos seus colaboradores. Por fim, devem repensar os seus kpi´s, medindo a sua evolução numa perspectiva mais financeira, operacional e de acordo com o seu negócio”, avançou o responsável pelas operações da IDC em Portugal.

Novos desafios num futuro próximo

E quais são os desafio a enfrentar nos próximos anos? Rui Luís Aguiar, keynote speaker do 1º painel, com o tema “O desafio do 5G - Mudança de paradigma das plataformas móveis”, acredita que uma das principais questões que se coloca é a de saber quais são as vantagens efectivas do 5G e “que oportunidades de negócio novas se podem abrir”?

“O 5G é apenas uma forma de fazer dinheiro e tudo o resto que os operadores disserem, é conversa” foi a frase que lançou a intervenção do professor da Universidade de Aveiro, que logo de seguida explicou que “o 5G não é uma rede de telecomunicações, mas antes uma tecnologia para mudar a indústria e a sociedade porque pode ser configurada para cada segmento de negócio”.

O coordenador de Redes e Multimédia do Instituto de Telecomunicações revelou que tem sido feito “um grande esforço para desenvolver aplicações para o 5G”, ressalvando o investimento de mil milhões de euros feito na Europa para o desenvolvimento desta tecnologia, apesar da “grande pressão para a criação das chamadas “cidade-piloto” no continente europeu”.

Rui Luís Aguiar, terminou a sua intervenção deixando conselhos aos operadores e às indústrias:

“Os operadores têm que primar pela diferença. Têm que fornecer novos serviços a novas indústrias, devem explorar a relação com outras indústrias que não apenas a das telecomunicações. As indústrias têm que saber escolher o nicho de mercado onde se querem posicionar”, até porque o “5G é um ecossistema onde todos têm que ganhar”.

O tema foi alargado para o primeiro painel da manhã, com Luís Santo, da NOS, António Lages, da Altice/Meo, e João Nascimento, da Vodafone.

Na opinião dos três representantes das operadoras, o 5G pretende dar resposta ao crescimento da nossa rede, tendo em conta os novos paradigmas de utilização das novas gerações.

António Lages, coordenador do projeto 5G da Altice/Meo, defende que “o desenvolvimento do 5G depende de um ecossistema sustentável” e que a sua introdução será “realizada de forma faseada, uma vez que os seus requisitos e impactos são consideráveis e que a normalização será fechada em várias fases”.

Para João Nascimento, CTO da Vodafone, “ainda há muito a percorrer, mas estamos a caminho”, como demonstra o facto de “todas as renovações que estão a ser feitas na arquitectura de redes serem 5G ready”.

O responsável de engenharia da rede móvel da NOS, Luís Santo, destacou, contudo, o facto de “ser duro trazer para realidade o 5G, mas um dos principais desafios é a transformação das pessoas e das suas competências”.

“É preciso dar tempo e investir nas pessoas e considero que a informação, a virtualização das redes e a capacidade na programação são três pilares importantes no que se antevê nesta transformação digital”, justificou.

Alexandra Machado, do Jornal de Negócios e moderadora do painel, encerrou a manhã de trabalhos questionando os três oradores se “o 5G é apenas uma forma de ganhar dinheiro”.

António Lages defendeu que é necessário “ver todas as variáveis”, enquanto Luís Santo referiu que se trata de “uma lógica de win-win e de gerar valor mútuo”.  Para João Nascimento, apesar de se tratar de uma forma de ganhar dinheiro, o mais importante é perceber que “o futuro vai ser incrível”.

Durante a tarde as apresentações focaram os temas das Infraestruturas (ITED / ITUR / FO, nomeadamente a Reabilitação Urbana, Estado da arte, perspetivas e tendências de evolução tecnológica e normativa. Mário Reis, Ericsson – LG Portugal, focou a intervenção do seu keynote no estado da arte na oferta tecnológica de soluções FO para as aplicações FTTH e de alto débito e nas perspetivas de evolução da oferta e tendências de crescimento do mercado.

Foram ainda oradores neste painel António Vassalo, Diretor da Direção de Fiscalização e Paulo Mourato Mendes – Engenheiro da Direção de Fiscalização da Anacom; Rui Vaz do Colégio de Engenharia Electrotécnica da Ordem dos Engenheiros, Nuno Cota - Presidente do Colégio de especialidade de Eletrónica e Telecomunicações da Ordem dos Engenheiros Técnicos, e Helder Martins – Diretor Técnico da TELEVES. O debate foi moderado por António França, do Gabinete Técnico da ACIST. 

A “Inovação e Transformação Digital. A Era 4.0” dominou o último painel da tarde, trazendo para a conferência a abordagem ao estado da arte da IoT; novas normas e protocolos de comunicação adotados e a adotar para interligar e agregar todo o universo de dispositivos IoT e ainda o papel e oportunidades de negócio para os integradores. A  Keynote Speaker, Anabela Marques da Direção de Vendas e Gestão Global de Parcerias em Portugal da WeDo Technologies, falou sobre segurança e gestão de fraude, abordando os desafios da atualidade.

Foram ainda oradoresLuís de Matos – Chairman & CEO da FOLLOW INSPIRATION, Raphael Stanzani - Co-Founder & Managing Director da CONNECT ROBOTICS, num debate moderado por José Manuel Marques, Vice-Presidente da ACIST.

Participaram no evento mais de 150 Empresas e empresários associados da ACIST e das suas diversas secções especializadas, das quais se destacam a participação das empresas da área dos dispositivos conectados em e à rede e fornecedores/produtores de aplicações, e de infraestruturas de comunicações móveis, fixas com enfoque nos parceiros ITED e de solução estruturadas de redes broadband.

Publicado:Sexta, 24 Novembro, 2017

Imprimir   Enviar a um amigo